Palestras
 
InícioInício  PortalPortal  FAQFAQ  BuscarBuscar  MembrosMembros  GruposGrupos  Registrar-seRegistrar-se  Conectar-se  
Conectar-se
Nome de usuário:
Senha:
Conexão automática: 
:: Esqueci minha senha
Registrar-se
Navegação
 Portal
 Índice
 Membros
 Perfil
 FAQ
 Buscar
Fórum
Chat
Últimos assuntos
» Ajuda Mútua - Uma forma simples de ganhar dinheiro
Ter Maio 22, 2012 2:12 am por Fog

» Os girassóis e nós.
Ter Jan 10, 2012 6:32 am por carine

» Missa Canção Nova 20/111/2010
Seg Nov 22, 2010 2:51 pm por regina

» Não Percam hoje Padre Fábio no programa Todo seu
Sex Nov 19, 2010 2:51 pm por regina

» NOVO LIVRO DE PADRE FABIO!
Qui Nov 18, 2010 3:46 pm por regina

» Programas de 2010
Sab Nov 13, 2010 12:33 pm por regina

» DVD ILUMINAR
Sex Nov 12, 2010 1:27 am por regina

» Show Padre Fábio em Ilhéus dia 05/11/2010
Dom Nov 07, 2010 4:48 pm por regina

» Show em Aparecida 10/2010
Sex Out 15, 2010 12:23 am por regina

Buscar
 
 

Resultados por:
 
Rechercher Busca avançada
Patrocinadores
Musica

marcas do eterno - Fabio de Melo

Compartilhe | 
 

 18/05 Pecados públicos

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo 
AutorMensagem
regina
Admin
avatar

Mensagens : 981
Data de inscrição : 04/08/2008

MensagemAssunto: 18/05 Pecados públicos   Qui Set 02, 2010 4:33 pm

Não reclamo. Apenas constato. Tem ficado cada vez mais difícil a gente se reconciliar com os erros cometidos. O motivo é simples. A vida privada acabou. O acontecimento particular passa a pertencer a todos. A internet é um recurso para que isso aconteça. Os poucos minutos noticiados não cairão no esquecimento. Há um modo de fazê-los perdurarem. Quem não viu poderá ver. Repetidas vezes. É só procurar o caminho, digitar uma palavra para a busca.

Tudo tem sido assim. A socialização da notícia é um fato novo, interessantíssimo. Possibilita a informação aos que não estavam diante da TV no momento em que foi exibida.

A internet nos oferece uma porta que nos devolve ao passado. Fico fascinado com a possibilidade de rever as aberturas dos programas do meu tempo de infância. As imagens que permaneciam vivas no inconsciente reencontram a realidade das cores, movimentos e dos sons.

Mas o que fazer quando a imagem disponível refere-se ao momento trágico da vida de uma pessoa? Indigência exposta, ferida que foi cavada pelos dedos pontiagudos da fragilidade humana? Ainda é cedo para dizer. Este novo tempo ainda balbucia suas primeiras palavras.

O certo é que a imagem eterniza o erro, o deslize. Ficará para posteridade. Estará resguardada, assim como o museu resguarda documentos que nos recordam a história do mundo.

Coisas da contemporaneidade. Os recursos tecnológicos nos permitem eternizar belezas e feiúras.

Uma fala sobre o erro. Eles nascem de nossa condição humana. Somos falíveis. É estatuto que não podemos negar. Somos insuficientes, como tão bem sugeriu o filósofo francês, Blaise Pascal. O bem que conhecemos nem sempre atinge nossas ações. Todo mundo erra. Uns mais, outros menos. Admitir os erros é questão de maturidade. Esperamos que todos o façam. É nobre assumir a verdade, esclarecer os fatos. Mais que isso. É necessário assumir as conseqüências jurídicas e morais dos erros cometidos. Não se trata de sugerir acobertamento, nem tampouco solicitar que afrouxem as regras. Quero apenas refletir sobre uma das inadequações que a vida moderna estabeleceu para a condição humana.

Tenho aprendido que o direito de colocar uma pedra sobre o erro faz parte de toda experiência de reconciliação pessoal. Virar a página, recomeçar, esquecer o peso do deslize é fundamental para que a pessoa possa ser capaz de reassumir a vida depois da queda. É como ajeitar uma peça que ficou sem encaixe. O prosseguimento requer adequação dos desajustes. E isso requer esquecer. Depois de pagar pelo erro cometido a pessoa deveria ter o direito de perder o peso da culpa. O arrependimento edifica, mas a culpa destrói.

Mas como perder o malefício do erro se a imagem perpetua no tempo o que na alma não queremos mais trazer? Nasce o impasse. O homem hoje perdoado ainda permanecerá aprisionado na imagem. A vida virtual não liberta a real, mas a coloca na perspectiva de um julgamento eterno. A morbidez do momento não se esvai da imagem. Será recordada toda vez que alguém se sentir no direito de retirar a pedra da sepultura. E assim o passado não passa, mas permanece digitalizado, pronto para reacender a dor moral que a imagem recorda.

Estamos na era dos pecados públicos. Acusadores e defensores se digladiam nos inúmeros territórios da vida virtual. Ambos a acenderem o fogo que indica o lugar onde a vítima padece. A alguns o anonimato encoraja. Gritam suas denúncias como se estivessem protegidos por uma blindagem moral. Como se também não cometessem erros. Como se estivessem em estado de absoluta coerência. No conforto de suas histórias preservadas, empunham as pedras para atacar os eleitos do momento.

O fato é que o pecador público exerce o papel de vítima expiatória social. Nele todas as iras são depositadas porque nele todas as misérias são reconhecidas. No pecado do outro nós também queremos purgar o pecado que está em nós. Em formatos diferentes, mas está. Crimes menores, maiores; não sei. Mas crimes. Deslizes diários que nos recordam que somos território da indigência. O pecador exposto na vitrine deixa de ser organismo. Em sua dignidade negada ele se transforma em mecanismo de purificação coletiva. É preciso cautela. Nossos gritos de indignação nem sempre são sinceros. Podem estar a serviço de nossos medos. Ao gritar a defesa ou a condenação podemos criar a doce e temporária sensação de que o erro é uma realidade que não nos pertence. Assumimos o direito de nos excluir da classe dos miseráveis, porque enquanto o pecador permanecer exposto em sua miséria, nós nos sentiremos protegidos.

Mas essa proteção que não protege é a mãe da hipocrisia. Dela não podemos esperar crescimento humano, nem tampouco o florescimento da misericórdia. Uma coisa é certa. Quando a misericórdia deixa de fazer parte da vida humana, tudo fica mais difícil. É a partir dela que podemos reencontrar o caminho. O erro humano só pode ser superado quando aquele que erra encontra um espaço misericordioso que o ajude a reorientar a conduta.

Nisso somos todos iguais. Acusadores e defensores. Ou há alguém entre nós que nunca tenha necessitado de ser olhado com misericórida?
fabiodemelo.com.br - © 2003/2010 - todos os direitos reservados
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://padrefabiodemelo.forumbrasil.net
 
18/05 Pecados públicos
Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo 
Página 1 de 1
 Tópicos similares
-
» Pecados por pensamento - isto existe?
» Textos Bíblicos interessantes para reflexão! Tempo de Esperar Salmo 40
» Os versículos bíblicos que a TRINDADE anula
» Quais os pecados imperdoáveis? Contra o Espírito Santo!
» [b]Dez mitos bíblicos e evangélicos[/b]

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Padre Fábio de Melo :: Forum :: Geral :: Poetizando-
Ir para:  

marcas do eterno - Fabio de Melocriar um fórum | © phpBB | Fórum grátis de ajuda | Assinalar uma queixa | Criar um fórum